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OSASCO - SP
Transgressão Visual e Sonora
(Organização Coletivo Flores no Concreto)
Tocar em Ozaka sempre dá uma brisa diferente.
Dá um pouco de vertigem. Mas uma vertigem bem tranqüilôna. Aos caras do coletivo Flores no Concreto a gente deve um puta agradecimento por nos dar essa chance de tocar nessa terra ingrata que nos viu nascer.
Tem gente que acha que a gente nunca toca aqui em Óz por "esnobismo", por que somos “mascarados”, que só tocamos em SP, em bar da moda, que é isso e que é aquilo...
Bullshit. Quem nos conhece, sabe que a gente toca onde nos convidam. Nunca tivemos frescura. Aqui em Óz, os espaços pra música alternativa sempre foram muito restritos. Tirando a cena punk-hardcore e a cena Metal, que sempre tiveram público cativo, as bandas de rock com repertório próprio, como nós, encontram pouco espaço pra mostrar seu som. A maioria dos bares com música ao vivo só apostam em bandas “cover”. Classic rock e afins...
Nada contra. Mas é que, como é que ficam as bandas autorais?
Como ficam? Ficam “à margem”. Ou seja: Marginal Pinheiros, Marginal Tietê, Rodoanel...
Mas aqui vem a boa notícia: isso está mudando!”
Coletivos como Sinfonia de Cães, Escárnio e Osso, Movimento Trokaoslixo, CICAs, e agora o Flores no Concreto estão subvertendo a ordem, e colocando artes visuais, música, política, poesia marginal e ativismo cultural na ordem do dia. Como bem disse Rodrigo Rosa, baterista do Ordinária Hit: “O Do it Yourself não pode ficar apenas no discurso: tem que se provar na prática”.
É por isso mesmo que nos sentimos muito honrados quando somos chamados pra tocar num desses eventos. Entendemos que nosso trabalho faz eco a esse tipo de atitude. (muito embora, vamos admitir, às vezes nós pisamos na bola feio!)
Por exemplo: só achamos um bar aberto pra tomar uns goles antes do show a umas três quadras da Escola de Artes de Osasco... e por cagada, perdemos as duas primeiras bandas. “A Saudade” e “Homem Elefante”, do Rio de Janeiro. Espero que tenhamos outra chance pra vê-los. Sorry, compañeros.
A Saudade também é daqui da Zona Oeste, tá no corre como todos nós, e tá gravando e já fazendo uns shows pelas quebradas. Ouça os caras aqui, ó. Já o
O Homem Elefante faz um punk-rock-hardcore da porra e pode ser ouvido aqui.
Quando nós chegamos, o Ordinária Hit já estava trabalhando. Já tocamos com eles em outras oportunidades. Som de primeira, e nada nada convencional. Os caras executam composições irrotuláveis. Alternam explosões rítmicas, ruídos e megafones com slogans e tangos dadaístas, guitarras Blixa Bargeld duelando com um violoncelo soturno a la John Cage. Um set que faria o namoradinho da Gala Dali estrebuchar no chão, epilético e risonho. “Isso é música ou Artes Prástica??” – perguntou um garoto presente, entre incrédulo e espantado. Na mosca! Ordinária Hit é a trilha sonora perfeita para um passeio cerebral de montanha russa.
Depois foi nós. E até que os velhinhos assanhados não fizeram tão feio... Lembro que tudo o que escrevi no começo desse Diário veio na minha cabeça enquanto tocávamos... De verdade. Pensei nas pessoas daqui de Osasco que nos escrevem, e que nunca tinham visto a gente tocar ao vivo. Muitas delas estavam ali, cantando os sons. Foi muito fóda. Pensei também nos nossos eternos detratores (“É, os cara vivem falando que são de Osasco por aí, mas eu nunca vi os caras tocando aqui, ninguém nunca vê esses caras por aqui”). Alguns também estavam ali. Lembrei também do comentário maldoso de um desses “roqueiros-profissionais-de-plantão”, que não saem da MTV e da Praça Roosevelt: “É, fui fazer show com a minha banda em Osasco, num encontro de motoqueiros e tal... ninguém lá nunca ouviu falar em La Carne!” - disse ele, em tom triunfal e sarcástico.
Pau no cu desses caras. Se já existimos há 20 anos, certamente não foi por causa desses “gênios”. Fazemos música para nós mesmos! - e isso tem nos aproximado de pessoas parecidas com a gente. Fazemos música por prazer. E, quanto mais o tempo passa, mais tem sido divertido! Aos que colaram lá pra nos ver, muito obrigado (e tomaram que tenham gostado!).
Mas a noite trouxe ainda outra surpresa: três meliantes (provavelmente foragidos da polícia de Bragança Paulista) arrebentando nossos tímpanos com seu hardcore rápido e demencial: trata-se do grande Leptospirose. Velhote no baixo, Serginho batéra e o impagável Quique na guitarra e vocal. Tocaram algumas faixas do se CD “Invernada” e outras pancadas na orelha. Fúria, sarcasmo e carisma de sobra. (Detalhe interessante: pouco antes de a gente tocar, puxei uma conversa rápida com o Velhote: “É meia hora de show, né? Acho que vamos tocar umas seis ou sete músicas... e vocês?” E ele: “Ah, sei lá... umas 30, 35!”). Dá pra não ser fan duns caras assim?
Se tudo der certo, dia 15 de Agosto tem mais na Escola de Artes de Óz. Nós, o Baudelaire, e o Mickey Junkies. (à confirmar, em breve). E longa vida ao Flores do Asfalto! (Valeu pelo rango, tava muito bom! Parabéns pra quem cozinhou).
E Sai, zica!
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