SANTO ANTONIO DO PINHAL – SP – 18.07.09
FESTIVAL NA MONTANHA

E aí que depois de sair às 5 da manhã do OUTS, pegamos a estrada pra Santo Antonio do Pinhal, literalmente ao meio-dia. Não, não é fácil. Fome, sono, frio e cansaço. Mas bóralá. Sabe como é, a gente, depois de tocar junto desde o século passado, já tá mais naquela de não pensar aonde isso tudo vai dar, mas sim de curtir pra caralho o durante dessa nossa viagem, saca? E vamo que vamo.

Chegamos no Festival da Montanha e o Seamus tava passando o som. E lá é uma cidadezinha daquelas de cartão postal. Atrás do palco, tinha um paredão de árvores que era coisa mais linda. Ah, antes, muito, mas muito obrigado mesmo aos The Vain que tiveram a pachorra de nos chamar pra festa. E os caras fizeram um corre fu-di-do pra armar o festival. Contatar as bandas, rolar uns trôco, uns comes e uns bebes. Coisa linda de Gizúis.

Aí fomos bebericar algo ali na montanha. Lá no boteco encontramos os Pale Sunday cada qual com sua lata à mão. Vieram lá de Franca encarar o rolê. Classe A! Depois se juntaram os Seamus e os The Vain e ficou aquela brodagem sem vergonha. E, como disse o AZ, é mó bom quando você viaja pra tocar e encontra os amigos, né? Saca gente que faz você se sentir bem quando tá do seu lado? E a gente tava assim. Rodeado de amigo. Tava na cara que o festival seria do senhor caralho.

O Seamus abriu a festa com seu som pra lá de alto. Pra testar os equipos tinha de ser eles, claro. Tudo alto! Zé voltando de uma operação e batendo com raiva na batéra. Meteoro cantando gritando pisando no pedal e quebrando a mizinha. Pedro-baixo-novo mandando grovêra pra acompanhar os caras. E o Bôi Lalli declamando as canções que já começavam a fazer a cabeça do povo. E eles tocam alto sim. E aí o cara da mesa de som já viu que o dia ia ser de bastante trabalho.

Aí foi chegando gente. Tinha amigos de Mogi das Cruzes (!!) Isso mesmo. Régis Somata e companhia, vai vendo. Aí apareceu Danilo e Hugo Hierofante, Davi Ecos Falsos, e mais uma pá de figura.

Depois veio o Pale Sunday, que ficam ali no limite da sutileza. E que é muuuito difícil. Aquelas canções a lá Teenage Fanclub, só que aí entra um peso e muda tudo e aí volta e fica na moral. Pô, complicado isso, viu? Não é pra qualquer um não. E eles vão tocar com o Wry lá no Groselha Fuzz. Imagina a beleza que vai ser? Classe o show compadres!

Então foi o La Carne. E quando subimos já ficamos ali azucrinado o cara da mesa: “Mano, aumenta aqui, abaixa ali, cadê meu copo de uísque?” J Não, essa do uísque não foi pra ele, claro. Mas seria legal, né?

E aí que tinha uma cortina que se abria quando as bandas iam começar os shows. E aí a gente falou: “mano, segura a cortina aí e abre só depois que a gente já tiver tocando, certo?“. O cara olhava meio incrédulo, um misto de “ahn?” com “que porrééssa, maluco?” Enfim, mas deve ter achado legal, porque depois ficou contanto e gesticulando pro amigo do lado como fez a parada ali com a gente no palco.

E o som começou barulhento, mudou, voltou, mudou de novo e depois foi se acertando. O show nem foi tão longo, mas foi intenso. Frio da porra. Um gole de quente atrás do outro. Tinha gente no palco batendo foto, gente na platéia pulando, gente quieta e sentada, gente olhando, gente indo embora, e por aí vai. Mas pra gente foi legal, depois de um tempo relaxamos e tudo correu bem. Quando descemos do palco vieram abraços, bebidas, brodagem dos The Vain, e até um broche do New Model Army apareceu de presente. Pô, aí é demais.

Depois veio o Holger e fez a festa da galera. Não conhecia o som deles, bacana, viu? Cola aqui pra ouvir.

E aí, depois de vários choconhaques, cervejas e bolinhos de carne, eis que sobe ao palco o The Vain. E ó, de boa, sem rasgação de seda, a gente nunca tinha visto um show tão bom deles quanto o que eles fizeram ali. Sabe o que é colocar todo mundo pra dançar? Foi isso. Sabe o que é acabar uma música e a galera urrar nos aplausos? Foi isso. Sabe o que é a banda parecer um metrônomo de tão ensaiado que tá? Foi isso. Sabe o que é uma groveira fudida de baixo e batéra, misturada com guitarras altas e com um puta suíngue, com um teclado dando aquelas estocadas a lá Faith no More e um vocalista que ia até a galera, dançava e voltava a cantar? É, foi desse jeito.

E a noite acabou como tinha de ser, com o melhor show do festival. The Vain arrasador!

Pô, tomara que todo ano possa ter um festival desse naipe lá.

E ó amigos, valeu mais uma vez pela préza do convite, ok?

E vamo que vamo.

Um brinde!