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Aí que fomos mais uma vez pra Mogi. Tinha também Seamus, Somata e Blood Sugar. Coletâneazinha pra ir ouvindo na Dutra. The Fall, Screaming Trees, Jon Spencer e outras coisas que salvaram a gente do trânsito na Marginal. Já em Mogi, chegamos no pico exatamente junto com os maus elementos do Seamus. Elmo, com sua brodagem sem igual, abre as portas e entra aquela corja toda. Palco novo, cerveja na faixa e vai que vai chegando gente. Pô, vc sabe, a gente já tocou em Mogi diversas vezes. Mas cada show lá é uma experiência, digamos, redentora. O Campus VI é o tipo de lugar que é a nossa cara. O Bôi disse muito bem e com toda propriedade, Mogi sempre acolhe tão bem as bandas que não tem um nêgo que sai de lá sem dizer que a cidade é foda. E tem mais. Aquela porra de cidade toda hora nos brinda com bandas muito, mas muito legais. Parece que a filosofia punk do faça você mesmo tá enraizada ali. Sei lá, pelo menos no Campus VI é assim. Tá, a única trêta é o lance de ter de acabar a meia noite. Coisa de lei do silêncio e tals. Mas o Elmo, agilizado que é, já tá esquematizando de conseguir um tal alvará pra poder ficar de madrugada. E claro que ele vai conseguir. Nénão, Elmo? Antes dos shows ficamos ali com todos os meliantes das bandas bebericando. A cada vez que encontramos o Seamus ficamos horas e horas falando sobre tudo e nada até alguém ter de avisar: “pô, e aí, vão tocar não?”. Zé, Meteoro, Pedro e Boi já fazem parte da nossa gigantesca lista de amigos que fizemos nessa coisa de róquenrrôu. Tava também um mano lá do Bloodsugar que tem uma pedaleira que é incrível de bacana. Muitos sons, outras batidas e outras pulsações. Quando estávamos no Extra batendo um rango, aparece um sujeito, nos aborda, e diz assim: ”ow, vcs vão tocar lá no Campus VI. E eu gosto de vcs.“. Simples assim. Direto ao ponto. Vai vendo. O meliante em questão era um dos Bloodsugar que tava vindo do trampo e disse que ia tocar lá com a gente. Enfim, comentário de mau elemento não dá pra levar a sério, haha. Voltamos pro bar e já tinha nêgo na porta esperando a vez para entrar. Danilo Hierofante tava lá também. O irmão do Elmo também. O Flegma também. Mentecapto, Korova, Os Netos da Revolução e muito mais. Gente pra caceta. Quando o Somata abriu o som da noite, todo mundo ficou de queixo caído. Mars Volta com Muse? Hum, não. Punk Rock com jazz e soul music? Opa. Ou não. Mas enfim, o negócio é o seguinte, Somata é um puta Power trio do caralho. Só pra mim, chegou uns 4 nêgo dizendo que porra era aquela? O Bôi disse que não ia tocar depois daquilo. Que os caras não sabiam brincar. Foda. Puta som meuzamigos. Puta som. Ouve lá e tira suas conclusões. Se não gostar, beleza. Mas vai lá e ouve, ok? Depois foi a vez do Bloodsugar. Primeiro show dos caras e ainda encaram uma dessas. Definitivamente, não é pra qualquer um. O maluco lá tem um case de pedal que deixa qualquer um impressionado. Parece que toca em outros projetos e ali tem coisa pra todo tipo de som. O Elvis – não o de Memphis, o de Mogi mesmo - fica sacolejando tipo um Tom Morelo enquanto baixo e batéra fazem a cozinha pra um som de respônsa. Primeiro show? Benzadêus... Aí depois, com uma pá de doses na cabeça, sobe o Seamus. Sons novos, sons velhos, hits e toda sorte de nóias no palco. Guitarras esfregadas em amplis e pedestais, cordas arrebentando, microfones voadores, participação da galera em côro, Danilo subindo e descendo e cantando e voando. O som alto. Bem alto. Como deve ser. E eu ali olhando, sendo empurrado e agradecendo aos céus por poder ver meus amigos felizes fazendo o que gostam. E, conforme combinado antes do show, eles não tocaram Blame. A nota de rodapé é: Sim, nós costumamos tocar as músicas de nossos amigos. Ludovic, FUD, Seamus, OAEOZ e por aí vai. Aí que o Bôi topou de não tocar Blame no show deles e cantar essa música com a gente. Claro, seria legal. Mas não esperávamos que fosse tão classe como foi. Vai vendo. Quando subimos, a primeira música foi essa que o Seamus não tocou. Levamos Blame daquele nosso jeito punkamente falando. E foi incrível. Teve nêgo pulando do palco. Têve microfone passeando pela galera. Teve refrão cantado aos berros longe do microfone. Foi foda. Essa música do Seamus é daquelas que levanta até defunto. Bôi, Zé, Meteoro e Pedro ficaram ali cantando e vendo a gente destruir sua bela canção. Na boa, foi por uma boa causa amigos. E isso foi só o começo. Entre copos de cerveja voando, urros de alegria e gritos de que iam chamar o Capitão Nascimento, começamos nosso som. Tempo curto, uma atrás da outra, sem sair de cima. A cada nova música a catarse ia aumentando. Tinha gente lá no fundo que cantava junto e gente aqui na frente que subia e pogava sem dó. Foi surreal. Depois contamos lá pros amigos que outro dia um cara “do meio” chegou e disse que a gente é uma banda “que não aparece”. Pois bem, na nossa modéstia e tosca concepção, quem não aparece é justamente ele, não é? Vamos aos fatos: Quem não aparece é justamente esses caras, crítico de jornal, site, agitador cultural e etc. que escreve de banda sem nunca colar em show – a não ser que seja em festival gringo, com tudo pago, em lugar descolado, da moda, que ele receba coisinhas, mimos, etc, etc, etc. Aí sim, aí ele vai. Aí ele aparece. Pra você ver, e não é que lá em Mogi apareceu muita gente? Gente que saiu de casa pra ver 4 bandas “que não aparecem”. Gente que não precisou mais do que vontade para conhecer coisas novas. Gente que tava ali pra curtir, ouvir um som, tomar umas com os amigos e brindar até aonde a gente for. Então, pra você ver como é a vida, as bandas que “não aparecem”, fizeram muita gente aparecer lá no Campus VI, um dos picos mais legais que já tocamos. Um lugar sem afetação, sem nomezinho na porta e que tem cerveja, salgadinho e uma mesa de sinuca. Ó só, Elmo e irmãos, brigadão pela préza e por vocês manterem um lugar desses aí. Esquenta não, às vezes a gente abaixa a guarda e toma um direto no queixo. Normal. Acontece. Mas o legal é que sempre nos levantamos antes do féladaputa contar até 10. Combinado? Em dezembro vai ter o festival Dezembro Independente. Se depender de Mogi, vai aparecer gente pra caralho. Quer apostar? Mogi, tâmozaí...
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