|
Quando chegamos na Livraria o Refluxo estava acabando a sua passagem de som. Por ali também já estavam os brothers de Santos e mais algumas pessoas circulando, tomando uns goles, sentados lendo um livro ou no canto pitando uns cigarretes. Depois de ficarmos alugando a Luci e o Marcelo sobre como era levar um som e compor com um ritmo eletrônico e tals, foram chegando a gangue de Taubatéxas, os The Vain – e junto com eles vinha o Meteoro (não o do Armagedon, no caso. Mas também nada muito longe disso, já que o dito toca no Seamus e ainda é amigo de rolê de várias figuras nefastas desse nosso BrasilVaronil). Enquanto estávamos rabiscando um setlist ali no canto chegam Ale (Topsyturvy), Erick (ex-Somata) e Jorge (o onipresente), diretos de Mogi e Franco da Rocha para as quebradas do mundaréu. E ainda veio também o Jaymes, que canta no Nihilo, banda amiga nossa desde o século passado. E “vou te falar pra você”, se marcar é muito mais difícil tocar quando o show tem pouca gente. Aí sim você tem de segurar a onda, fazer tudo certinho, dar literalmente o melhor de si, saca? Até porque, essas 6 pessoas tiveram a moral de sair das suas casas e cruzar a cidade pra ir num lugar e ainda pagar entrada pra ver a sua banda tocar. Porra, isso é de uma responsa fudida. E se você não leva isso a sério pode parar com tudo e entrar de cara na frente de um ônibus, caminhão ou coisa que o valha. Depois foi a vez dos cara de Santos. Eles que também tem um lance eletrônico, uma guitarra no palco e umas pick-ups. Eles são do coletevo Casa de Família, espaço cultural que organiza eventos, festas, encontro de movimentos sociais, compõem e gravam e estão meio que montando uma cena pras bandas de lá. Também fizeram um belo show e o som tava bem bom. Se não tô viajando rolou até um Ministry. Filmaram, gravaram e tudo mais. Reza a lenda que o La Carne em breve vai pintar em terras santistas. Bóra! Entre uma e outra banda, o Marcelo ainda tinha de ir lá e soltar o som. Nisso, quando estávamos no palco prontos pro abate, o som que começou a rolar foi “Modern Dance”, do Seamus. Achamos aquilo ali meio que um sinal, saca? Tipo, 6 amigos na platéia, um show com bandas que curtimos bastante, 3 da manhã de uma sexta-feira, e ainda do nada vem um som desse? Pô, aí, não tem jeito, tudo tava certo. E foi isso mesmo. Na nossa modesta e suspeita concepção, fizemos um show crasse A! Foram poucas músicas, mas todas tocadas com muita vontade, entrega, sangue-nozóio e, claro, diversas pinga na cabeça. Depois ficamos de próza ali com os comparsas. Entre um e outro drink, o tempo foi passando, o barmam varrendo, o cara do som desligando, a cortina fechando e as luzes se apagando. Já eram umas 3 e tanto da manhã quando estávamos levando os equipos pro carro e ainda pudemos ver indo embora o Jorge, o Ale e o Erick. Ou seja, 3 das 6 pessoas do público. E pra gente, sem medo de errar, nosso maior público. Claro, tem nêgo que acha ridículo darmos tanto valor assim pra coisas desse tipo.
Pois é, pode ser. Mas enfim, se envolver em algo ridículo é da vida. Porque a vida já é ridícula, nénão? E valeu imensamente ao Refluxo pelo convite e por ter nos dado a honra de participar da festa. Luci e Marcelo, vocês não prestam! |
|||