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Saímos todos juntos lá da casa do Chicão. E tava também os amigos de Curitiba, do Folhetim Urbano, que iriam tocar no sábado lá no OUTS, junto com Charme Chulo – e as duas bandas fizeram shows do senhor caráleo, no caso. Disco novo deles pintando na área e começando a fazer o corre dos shows. No Folhetim, o disco anterior tinha umas guitarra do Jorge e uns versos by Linari. Esse agora tem produção do ilustre Rubens K – um dos responsáveis por salvar o show do La Carne na Livraria. Mais pra frente eu conto. Ouve os caras aqui, ó. Charme Chulo – Folhetim Urbano. Então, quando chegamos na Livraria, a rua tava tomada de carros. Sem lugar pra estacionar. Naquale anexo da Livraria, ali na parte de baixo, tinha uma banda passando som. Era um cover do Morphine. Aí a gente sacou as notas do sax no ar e fomos lá ver qualé. E tinha o Asnésio, nosso comparsa lááá dos tempos do primeiro disco do La Carne. Na parte de cima, onde a gente ia tocar, já tava o palco armado pro Patife Band. E já tinha várias pessoas espalhadas pelos cantos, mesas, corredor e sofás. Depois de ficarmos ali bebericando, resolvemos dar uma olhada no show que tava rolando lá embaixo. Legal. Bem legal. Quando voltamos, encontramos mais amigos pelo caminho. Nessa hora, já tava até complicado de andar no lugar. A ordem dos shows seria Patife Band, La Carne e Trator Cavera. De repente, soa os primeiros tons da bateria do Paulo Barnabé e todos vão pra perto do palco conferir os caras. E foi assim. Barnabé na bateria. Mais dois caras em dois teclados e outro no trombone, sax e outras coisas. Muito classe. Incrível como fazem aquilo ao vivo. Uma quebradeira do caralho, até batendo o pé é difícil de acompanhar. Tem um lance erudito ali que é foda. E o mais legal, tem muito punk rock. Quando tocaram “Corredor Polonês” a casa veio abaixo. Depois veio, arrasadora, “nunca conheci quem tivesse levado porrada! Todos os meus conhecidos, tem sido campeões em tudo!. Tudo!”. E mais uma pá de sons que fizeram todos ali sacolejar os esqueletos. Classe pra carái. Não conhece Patife Band? Vai aqui ó. Depois deles, subimos, começamos a ligar, puxar fio, caixa, set-list no chão, dá um alô pra ver a voz e 1, 2, 3 e vai! E foi Contra Corrente alto pra caralho. O povo sacou qual era nossa vibe e embarcou com a gente. De cima do palco você via que o lugar tava abarrotado, que o som tava rolando legal, que ainda era a primeira música e que tudo tava indo bem, até o final da primeira música... tudo ia muito bem.. até que... PUFFF! Cheiro de fumaça no ampli do baixo. Aí, some de vez o som do baixo. “NÃÃÃÃÃÃOOOOOO!” “Why me Lord!” Aí, começa nego fazer corre daqui, dali, mandar o baixo em linha, “toca aí, Carlinho!”, e aí disseram que tava rolando legal pro povo. O problema seria no palco. Retorno zero. Seria na cara e na coragem. Às cegas total. Mas enfim, a gente ensaia pra isso, né? Pra que na hora que der trêtas assim vc não fique na mão. Nisso nossos parceiros subiram a milhão no palco e agilizaram tudo. Rubens K, Flavinho Vajman, o cara do som da Livraria e Rodrigo – que depois, não sei porque, chamei de Flavio, perdão brother. Todos dando um help total. E aí, depois daqueles intermináveis 3 a 4 minutos que levou tudo isso, voltamos a tocar. Ai foi Mala Suerte e TGP. Perfeito. Rolou legal. Mas às cegas pro baixo no palco, pra ninguém. Quando, de repente, aparecem esses mesmos elementos que nos ajudaram no som, carregando nas mãos um ampli de baixo. O ampli que estava sendo usado lá na parte de baixo, no show anterior. Aí ligam, tiram o lance do outro, pluga e pronto. O palco volta a ter som de baixo. “YESSS!”. O povo da pista urra de alegria. A gente não sabe se toca ou se agradece de joelhos aos meliantes. Aí agradecemos. Depois tocamos. E vai nessa pegada até o final quando fechamos com Marimbondo, com todo mundo se esgoelando naquela parada: “ENCHO A BOCA DE MARIMBONDO! SEMPRE QUE VOU TOCAR!”. É, não tem jeito, você tem que ter algumas horas ruins pra ter as boas. E é sempre bom quando seus amigos estão por perto. Alma lavada. Sai zica! Após a gente veio o Trator Cavera. Power trio de responsa. Muita responsa. Fizeram todo mundo bater cabeça. Quem tava lá no fundo, veio pra frente. Quem tava na frente, foi espremido. Perdi minha cerveja ali na hora. Show bacana o dos caras, rápido, certeiro e com o recado dado. Issaê. Depois das bandas, a Festa de Merda continuou com som na pista até raiar o dia. E foi uma senhora de uma festa, viu? Quem foi tá comentando até hoje. Parabéns pela Festa Carah, vc e todos aí da organização foram de uma brodagem sem igual. E tomara que possamos fazer outras festas tão boas como essa, nénão? A vida é muito boa em alguns momentos. E sexta agora, lá na Livraria, na Festa de Merda, foi um deles. FIM |
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