INSANIDADE COLETIVA FESTIVAL



O Insanidade Coletiva Festival rolou em Santo Amaro, lá no Barracão do Gil. Um lugar mó grande, com direito a pastel, caldo de cana, lanches e cerveja na garrafa. O festival foi iniciativa do Leandro, vocalista do Monaural, que chamou uma pá de banda, cada uma levava um equipamento, emprestava aqui e se arrumava ali.
 
Claro, organizar um lance desse não é garantia de sossego. Todo mundo que já fez algo assim tá ligado. Sempre dá algo errado, falta alguma coisa, alguma trêta, etc. Mas sussa, no final tudo dá certo.

Quando chegamos já tava rolando os The Razorblades. Antes, já tinha rolado o Superduo, dos nossos amigos Lu e Franco, o Vergaser e o Agulhas Negras, banda do brother Cardeli, dos Visitantes. Sorry brothers, nosso motorista, “um-às-no-volante”, fez a gente dar voltas e mais voltas pelo largo 13, aí já viu, nénão?

No balcão do bar encontramos as Maquiladoras entornando umas doses, o Zé baterista do Seamus, o Leandro Monaural e mais uma galera que foi ali pra ver os shows. Chegava gente, saíam outros, uns ficavam lá no bar comendo e bebendo e outros iam pra pista em frente ao palco sacolejar o esqueleto. Depois ainda chegou uma caravana dos Mogianos, pilotada pelo Jorge – que, no caso, é de Guaianazes. Vai vendo.  

Como previsto desde a concepção do festival, rolou aquela brodagem entre as bandas. Uma colocava um ampli ali, depois usava o do outro, um trazia um retorno, um pedestal, um microfone, etc, etc. Mesmo que o som do palco não tenho saído como todo mundo queria, o importante ali foi ver que todo mundo abraçou a causa e fez a coisa rolar. Cada um a seu modo fez a sua divulgação, seu corre, e no final das contas a idéia principal do mutirão do rock até que deu certo.     

Depois das cerva e das doses, colamos ali na pista e já tava rolando o Vollupeo. Alto pra carai e um som de responsa. Fora que os caras ainda no domingo tinham show no Tendal da Lapa à tarde. Todo mundo no corre, certo? Issae. 

Depois foram as Maquiladoras. Falar bem delas é fácil, vai. Ainda não vimos um show ruim das meninas. E ó que já tocamos juntos várias vezes. Sempre aquela vibe bacana. Sério, mesmo com vocal sumindo, trouxeram toda galera ali pra frente e deram o recado direitinho. E ainda depois de uns bomberinho na cabeça? Pô, aí é demais. Lição de vida total. rsss

Monaural veio na seqüência. Lembro que uma vez o Wellington Dias, do Gramophone, disse o quanto eles tinham evoluído como banda. E é verdade isso. Vendo ele ali, ao vivo, você se liga que tão se tornando um dos melhores power trio de São Paulo. Tem sons e frases muito bacanas, tais como “acaba logo com isso, é uma canção de amor”, “eu vivo num mundinho de merda”, e fora o ótimo clipe da música “De nada”. Tá foda. Mais um grande show dos caras.

E aí que sobrou pra gente fechar a festa. Talvez as doses, talvez a dificuldade de ouvir um ou outro, talvez, talvez, talvez... Mas a verdade é que erramos várias, atravessamos feio, não paramos quando tinha de parar, paramos quando tinha de ir, e ainda assassinamos com requintes de crueldade nossa adorada versão de uma música do Seamus. E isso não se faz com os amigos.

Enfim, acontece. Não é todo dia, mas acontece. E o lance é saber conviver com isso, com os acertos e erros. Por isso, a coisa de nunca se deslumbrar com tapinhas nas costas, certo? Elogio é legal? Sim, claro que é legal, faz mó bem pro ego. Mas o que liga é saber que um vacilo você pode por tudo a perder. Então, “devagar com o andor” - sábias palavras dos nossos avós, certo?       

Mas no final disseram que foi legal. São nossos amigos, e eu tenho tendência a acreditar nos amigos. Até porque depois ganhamos cds de bandas, compraram uns discos, deixamos roles meio que marcados, novas amizades, gente que foi lá e disse que havia vindo de não sei onde pra nos ver, etc. Pô, isso por si só faz você ganhar a noite.

E ó, a gente gostaria de agradecer pelo convite e pela brodagem dos velhos e dos novos amigos. Nos trombamos pelas quebradas do mundaréu, certo? Tâmojunto.

E vamo que vamo.