GUAXUPÉ – MG
26.06.2010

Um pouco de história

Guaxupé fica a umas 3 e meia, 4 horas de São Paulo. Terra dos cafezais, cidade das abelhas, dos barões e tal. – vc sabia que a novela “O Rei do Gado”, teve locações lá?

E aí que de lá também tá surgindo uma galera que faz um corre pra promover as bandas com som autoral, tão fazendo festivais, festas, invasões culturais em cinemas e praças e transmitindo tudo pelas ondas do rádio e da internet. Pois é assim que estão trabalhando os caras do Beerock. E salve a independência!

A história de como nos conhecemos é mó loca, vai vendo. Lá pelos idos do século passado, o Alysson nos conheceu pela internet e nos mandou emeio e comprou um cd. Mandei o dito pelo correio pra ele e desde então vira e mexe nos trombamos virtualmente. Depois de um tempo ele veio e comprou mais cds, camiseta e tal. Só que nesse meio tempo, mal sabíamos que ele já tava “evangelizando” os caras lá pela causa lacarneana.

Depois disso tudo, há uns 3 anos mozomêno, o Guerrilha Gig, coletivo lá de Franca, armou uma festa em Franca e nos convidou pra participar. Foi bem na época do lançamento do Granada. E foi nessa oportunidade que os caras já tavam pilhando de levar o La Carne pra Guaxupé, que era uma cidade menor, com pouca coisa rolando, que eles queriam começar a agilizar algo, etc. Enfim, e aí nesse dia ficamos conhecendo várias das pessoas que hoje são nossos brothers e que estavam, em um show nosso, organizado pelo coletivo deles, na sua querida Guaxupé. Ó que fita...


Sobre a viagem

Chegamos em Guaxupé umas 19h. Aí paramos no posto na entrada da cidade e fomos sedentos bater um rango antes de ligar pro Fabin vir nos resgatar.

Quando o Fabin e o Manuel (é Manuel, né?) chegaram já tava começando o frio e fomos direto pro pico do show, o Cine 14 Bis.Tinha acabado de chegar a bateria e já fomos nos enturmando com o povo. Aí tava o Marlon e o João – guitarrista do Elephas e mais uns caras do Mr. Metal. Lá dentro já trombamos o Alysson, o Carlos, o André e mais uma pá de gente que “não se” lembro o nome agora  - perdão, félas.    

Depois das honras da casa fomos dar um rolê ali pela área. Passamos pela praça, por umas igrejas, uma construção com uns coqueiros estupidamente gigantes, a pensão que os caras ainda tiveram a mãnha de agilizar pra gente, e por fim paramos em um bar de um brother deles.

No bar foi chegando gente e fomos conhecendo mais e mais pessoas que já nos conheciam e que sabiam das nossas histórias, roubadas, que conhecem nossos amigos e tals.

Aí, estávamos só nós e o Fabim e foi classe quando chegou o Fernando, o mais insano fã do Batman que já tivemos a honra de conhecer. É, ele já tava mais pra lá do que pra cá, mas ainda tava articulando umazidéia, saca? E aí ele vira pro Jorge: “WATCHMEN É UMA BOSTA! AQUELE FILHA DA PUTA MATOU O HORSHACK!” – Sim, desse jeito. Gritando, no caso. Do caralho.

E aí a gente, sem querer, claro, acabou deixando o cara muito, mas muito puto e inconformado. E só depois que nos ligamos que não poderíamos falar isso pra um fã insano do Batman. Mas aí já era. E foi assim:

“Pô, e vc viu aquele quadrinho, o Piada Mortal, que o Coringa passa a mão na bunda do Batman? Há Ha Há Há!!” Todo mundo riu. Menos o Fernando, claro.

Olhamos pra ele. Silêncio. O cara tava estarrecido. Achei que ia nos esfaquear.

“O QUE? O CORINGA PASSOU A MÃO NA BUNDA DO BATMAN? VOCÊ TEM CERTEZA DISSO? VOCÊ TEM CERTEZA DISSO? OLHA AQUI, VOCÊ-TEM-CERTEZA-DISSOOOO??”

Ixi. Aí argumentamos, explicamos, pegamos mais uma, mudamos de assunto, brincamos com o cachorro e lá vem ele novamente: “O CORINGA PASSOU A MÃO NA BUNDA DO BATMAN? VOCÊ-TEM-CERTEZA-DISSOOOO??”

Foi hilário. Depois ficamos ali bebendo e rindo e falando asneira. Ele saiu trançando as pernas e gritando que ia encontrar a mulher dele, ou que ia comprar algo pra passar o tempo, ou que ia ver se isso do Batman era mesmo verdade: “O CORINGA PASSOU A MÃO NA BUNDA DO BATMAN? VOCÊ-TEM-CERTEZA-DISSO? NÃO PODE SER!!!”

Depois, quando chegamos no lugar do show, já tinha os equipo, mesa de som ligada na internet, esquema com rádios da cidade, tudo pronto para ser gravado e depois fazer um Bootleg La Carne em Guaxupé (úia) . Classe pra carai. Ali ainda conhecemos o restante dos Elephas, os caras do Mr. Metal, mais gente do coletivo Beerock e tinha até nêgo do Guerrilha Gig, lá de Franca.

Quem começou a festa foram os Elephas. Eles são de Lavras-MG e tem circulado bastante divulgando o trampo. Já foram destaque no programa Alto Falante, tem um clipe classe, participaram do Grito Rock Lavras, já tocaram em Sampa-Gothan-City e mais uma pá de coisa. Ou seja, são gente que faz. Fizeram um show daqueles que você olha e vê nêgo balançando a cabeça e curtindo bastante o som. O Elephas é Telêmaco Jr (Vocal), João (Guitarra), Clairton (Bateria) e Pedro (Baixo). “Hoje é um dia exato pra não ter nenhum compromisso!” Grande show manos!

Depois foi a gente. E ó, foi mais uma daquelas noites que não vamos esquecer tão cedo. O lugar não tinha palco, então você ficava no nível da galera. Cara a cara. Sentindo o bafo, o cheiro de cerva, a fumaça do cigarro, vendo o riso e ficando invariavelmente de olho no olho da pessoa. Aí ela virava e te pedia uma música, você sorria e mandava uma outra que ela também conhecia e cantava e aí outro ia e arremessava uma toca com raiva no chão e ao fundo um casal dava um beijo apaixonado ao som de Decida e Jukebox. Quando ainda tocávamos a última, um cachorro andarilho da cidade veio, cercou, olhou, e aí deitou bem em frente ao bumbo. Literalmente desse jeito. Aí foi demais. Todos foram ao delírio. E no final o refrão de “Vergonha na cara” virou “Now i wanna be your dog!”. Incrível.    
 
Depois veio o Mr. Metal. A cena de metal em Minas é muito forte e esses moleques beberam de uma fonte que vai fazer eles irem longe. Levaram uns cover que a galera cantou a plenos pulmões e junto teve também vários sons deles. Segundo os meliantes, andam compondo novo material e em breve estarão circulando e divulgando a sonzêra. Classe o som manos!     

Quando acabaram os show ficamos só na brodagem com o povo ali. O Alysson foi escalado pra fazer um setlist pra gente, o Fabim foi escalado pra mandar umas camisas do Beerock, um lá ganhou uma gaita de presente, uma veio e mostrou o toque do celular “by lacarne” e aí já eram umas 5 da manhã quando rumamos pra pensão e apagamos as luzes. De manhã tomamos um café com pão os Elephas e ficamos ainda mais brothers dos caras. Tuto bona gente.

Pegamos a estrada de volta lá pelas 10h. Sol da porra. Rango presidência na hora do almoço. Duas e pouco eu já estava em casa e contava extasiado tudo, detalhe por detalhe, nada fugia da mente, nada faltava.

E ó só, a gente agradece de coração pela imensa brodagem. Vocês não prestam.

Valeu, Guaxupé!

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E no dia seguinte, em uma cidade do sul de Minas:

“O QUE? O CORINGA PASSOU A MÃO NA BUNDA DO BATMAN? VOCÊ TEM CERTEZA DISSO? VOCÊ TEM CERTEZA DISSO? OLHA AQUI, VOCÊ-TEM-CERTEZA-DISSOOOO? NÃO É POSSÍVEL!!!”