BELO HORIZONTE - MG
Repensadores e La Carne


Aí que saímos rumo a BH na sexta após o almoço, Linari foi só no outro dia. Tava meio chateado, porque um tio que ele gostava muito morreu na quinta-feira. (Edson Amorin, maranhense arretado. In Memorian).  Mas a vida é assim. Keep walking...

E você lembra de uma trêta que deu no carnaval pros caras pegarem a Fernão Dias? Que tava mó zica da porra? Pois bem, claro que aquilo ainda tá rolando. Incrível, né? Aí tóca a gente dar uma volta da porra, ir por Mairiporã, Caieiras e tals pra pegar a Fernão lááá na frente. Pô, e Pindorama se supera a cada dia, dizaê. Mas a viagem foi sussa. Cansativa, mas tranqüila.
Quando chegamos em BH já passava das 23h e aí rumamos pra casa do Bill, irmão do Chicão. E lá, junto com o Bill e o Leandro, que mora com o Bill, estava também nosso grande amigo Eduardo Leônidas, que saiu daqui de Osasco na sexta cedo pra curtir o rolê com a gente. Grande Edu!

Depois de umas cerva e uns quente fomos pra rua em busca de um rango. Aí foram vários pastéis, cervas e cigarrinhos em um dos muitos botecos de esquina da cidade. Já meio calibrados fomos pra um Pão de Açúcar fazer umas compras – pão, queijo, manteiga, café... e cerveja, claro. Voltamos lá pelas 4 da matina e aí não deu nem tempo de arrumar as tralhas e já tava todo mundo apagado pelos cantos do apê.

No sábado, depois de ligar pro Adriano (vocal dos Repensadores), saímos com o Bill pra um rolê na cidade e depois ir pro almoço. Ó, já tinha ouvido do trânsito insano de BH, mas é verdade, carro pra caraio e o mais loco é que os semáforos são literalmente em cima da faixa de pedestre. Ou seja, se vc é o primeiro carro da fila, vc não vê se o farol abriu! Aí, ou vc fica com a cabeça pra fora vendo o farol ou espera alguém dar uma buzinada. Da hora!
Na hora do almoço, atendendo a dica do Edu, fomos pra uma churrascaria em um bairro ali perto. Mano, puta rango da porra pela módica quantia de 12 real. Vai vendo. Tutu, feijão tropeiro, frango, carne, carne e mais carne e ainda uma senhora porção de doce-de-leite com uma fatia de queijo. Aí é demais.

Ah, nisso chega o Adriano e se junta a comilança. Aí começou as cervas, caipirinhas e cachaça. E ainda era uma da tarde. Puts... Depois ficamos bebendo cachaça e trocando idéia com o Adriano, que além de grande frontman e letrista de mão cheia, é uma cara legal pracaralho. Ele é de Contagem – uma cidade que tem um parentesco muito louco com Osasco: em 1968, no auge da ditadura militar no Brasil – e do esporro juvenil em Paris, Praga, Washington, México, etc, os operários das fábricas de Contagem (MG) e Osasco (SP) entraram em greve, quase que simultaneamente, desafiando os gorilas fardados. Toda a movimentação operária da época, e a conseqüente repressão, marcou profundamente as duas cidades. 40 anos depois, aqui estamos nós, lembrando dessa porra toda. Muito legal isso.
Quando saímos o Adriano disse que viria nos buscar pra chegar no pico do show. E a gente todo cheio da razão: “Que isso mano, precisa não.. com o GPS aqui já era!”. E eles: “ó, em BH isso aí dá treta hein?”. “Se liga sangue-bom, aqui é Osasco, não Pokemon...”.

Voltamos pra casa do Bill e a idéia era repousar os esqueletos pro som logo mais a noite. Nem fudendo. Chega lá um deita, outro pega um violão, outro acende um cigarrinho, outro conta história e quando vemos já eram umas 18h. Passagem de som era às 20h. Logo, já era o descanso. Mas, o mais importante, era que estávamos de boa e curtindo o rolê.  Ai ligamos o GPS e fomos pro lugar do show.

...

...

?!?!

Claro, o GPS deu pau e nos mandou pra umas ruas sem saída e umas ladeiras e aí tivemos de ligar pro Adriano pra ele nos resgatar. “mas eu te disse...” “eu sei..”. “mas eu te disse...” “eu sei...”. Puta falta de sacanagem!

Quando chegamos no Nafta os outros Repensadores já estavam ali fora. Como o pico ainda tava fechado resolvemos dar uma calibrada ali perto e descemos uma das incontáveis ladeiras de BH em direção a um bar. Mano, ô cidade que tem morro. Tem uns literalmente em 90º. Manja tipo descer a rua “com ou sem emoção”? Desse jeito.

No bar ficamos conhecendo todos os outros Repensadores: o Wendell (baixo), o Wagner (guitarra) e o Digo (bateria). Tutto bona gente os félas. Todos têm suas respectivas famílias, mulheres, crianças, trampos, cachorros e gatos. E todos no corre, agüentando o perrengue do cotidiano avassalador, mas com uma simpatia e uma vontade invejável de fazer as coisas.

Quando entramos no Nafta, foi surpresa geral. Clube fitoso, gente bonita, mesinha, cadeira, camarim, bar, decoração préza e ainda com um som bom. Pô, aí é foda, né? O que mais? Ah, apareceu um Jack Daniel de presente pro Jorge e um litro de pinga local pro Linari. Szshow? Zuzzo beem..   

E nisso foi só chegando gente e fomos conhecendo novos amigos e encontrando trutas de longa data. Entre eles tava o Francesco Napoli - da banda Zanzara – que tava com a sua doce Polly, um poeta louco, um cara único. Pediu Jukebox como bis (e a gente quase não toca mais esse som), mas mandamos ver um qualquer-coisa pra ele. Veio também o Jubão, da banda Curved, amigo dos caras de Mogi, do Bequadro, enfim, só mal elemento.   

Os Repensadores abriam a festa com as músicas gravadas no disco que você pode ouvir aqui, ó. Mandaram até uma versão bêbada e trôpega de Viaduto do Sol, vai vendo. O Adriano já disse que o som deles é resultado de diversos ensaios, que geraram 50 improvissos! Na mesma lógica Lacarneana, tudo na hora, letra, melodia, harmonia e ritmo. Guitarra com timbres e efeitos estranhos (do caralho!), baixo gravão-soul-music e potente como deve ser, bateria grovêra e jazzística no sentido mais punk da palavra e um vocal mestre de cerimônia claramente emocionado com a festa toda. Porra, como é bom descobrir coisas novas, nénão? 
      
Depois foi a gente. Tocamos umas 16 músicas. Geralmente temos um set mais curto, mas estávamos tão contentes de estar ali, na terra do Virna Lisi e do Mirto Nascimento, que resolvemos aproveitar a noite, o Jack Daniels e a cachaça. E depois ainda cola o cara da mesa de som e diz que a banda dele tinha aberto nosso show quando estivemos em BH aquela vez com o Ludovic.

Depois foi só brodagem. Histórias de Contagem, a família musicista do Digo, os nenês e filhos do Wagner, Adriano e Wendell, as bandas de BH e os festivais, etc e tal. E lá se ia diminuindo o nível do Jack e da cachaça.

Pô, tudo deu certo. Foi uma noite muito boa. Conhecemos gente muito legal. Celebração, amizade e rocknroll. Muita pira, tio.

Então, depois de mais uma viagem pelas quebradas do mundaréu, o que a gente aprendeu mais dessa é que tem gente suficiente por aí sendo artistas tremendamente verdadeiros e que deixam tudo muito mais interessante. E coisas assim são o que fazem disso algo tão incrível pra nós. 

Esperamos voltar em breve. Mal podemos esperar.  

Tâmojunto!